Textos

OS EXUS NA UMBANDA
 


 
O Orixá Exu (Trono Masculino da Vitalidade) e a Entidade Exu na Umbanda

A entidade Exu, na Umbanda, é uma linha que traz o nome de um orixá cultuado na África, na região Nagô-Ioruba, atual Nigéria, o Orixá Exu. Naquela localidade, Exu é um orixá, assim como Oxum, Oxóssi, Oxalá, etc. É uma Divindade fálica, que age também no sentido do vigor físico e espiritual. Seu nome, na língua Yorubá, quer dizer Esfera, mostrando ser uma Divindade que atua em Tudo e em todos os campos (estudaremos o Orixá Exu mais a frente, quando falarmos dos orixás). Na Umbanda, ainda não temos um culto forte ao orixá Exu, e até mesmo o reconhecimento de que Exu é um Orixá é algo novo dentro da Umbanda. 

Assim como as demais, O Orixá Exu também é uma divindade. Exu (o orixá) manifesta em nosso planeta o fator vitalizador, tendo em vista que o seu magnetismo é o do vigor, da força, da pujança. A onda energética do orixá Exu atua em parceria com as ondas energéticas dos demais orixás, dando-lhes força e vigor para a concretização dos seus fins. Por exemplo, Oxóssi irradia sobre o planeta Terra a sua onda energética expansora, ou seja, que detém o poder de despertar os sete bilhões de pessoas do nosso planeta para a necessidade de conhecimento por meio do raciocínio e da racionalidade. Essa irradiação energética do Orixá Oxóssi é potencializada pela onda energética vitalizadora do Orixá Exu, fazendo com que o fator de pai Oxóssi ganhe força e vigor. Em consequência disso, os seres que se encontram distante do conhecimento, do raciocínio, da racionalização, ou seja, negativados em prejudicial emocionalismo, são atingidos com força e vigor pela energia do orixá Oxóssi, vitalizada pelo Orixá Exu, a fim de que despertem para uma nova consciência, postura e conduta, modificando-se. Logo, o Orixá Exu, com seu fator vitalizador e desvitalizador, que carrega em si a força e o vigor, atua em parceria com o fator dos demais orixás, fazendo com que nós, seres humanos, sejamos despertados, dia-a-dia, para aquilo que necessitamos, seja fé, amor, conhecimento, justiça, lei, evolução ou criação, que são os sete sentidos e essência divinas, ou simplesmente as sete vibrações divinas, também chamadas de sete linha de Umbanda. A ação do Orixá Exu está sobre nós o tempo todo, ainda que não percebamos isso, pois ele atua (repito propositalmente) em conjunto com os demais orixás, conforme demonstrado acima. 

Agora, as entidades Exu são espíritos humanos, e não divindades. As entidades Exu são manifestadores do fator vitalizador do orixá Exu, pois enquanto linha de trabalho são sustentadas pelo Orixá Exu, trabalhando como um mistério negativo, a esquerda dos demais orixás. Podemos dizer que o Orixá Exu está para as entidades Exu assim como Oxóssi está para os Caboclos, Obaluaê está para os Pretos-velhos ou Ibeji está para as Crianças.
 
 Então, não confunda o orixá Exu com a entidade Exu na Umbanda, são dois seres diferentes. O primeiro é uma divindade e o segundo um espírito que atua como falangeiro na Umbanda.

Exu Nas Sete Linhas de Umbanda

Para cada uma das Sete Linhas de Umbanda há um Exu Guardião, ou seja, para A Linha Cristalina ou da Fé, há um Exu Guardião; para a Linha Mineral ou do Amor há um Exu Guardião; para a Linha Vegetal ou do Conhecimento há Um Exu Guardião; para a Linha Ígnea ou da justiça há um Exu Guardião; para a Linha Eólica ou da Lei há um Exu Guardião; para a Linha Telúrica ou da Evolução há um Exu Guardião e para a Linha Aquática ou da Geração há um Exu Guardião.

Considerando para cada uma das sete linhas assentamos dois orixás (embora existam inúmeros outros em cada linha), há também, além do Exu Guardião da Linha, um Exu Guardião dos mistérios de cada Orixá. Assim, na linha da fé há um Exu Guardião dos mistérios de Oxalá e outro Exu Guardião dos mistérios de Logunan; na linha do amor há um Exu Guardião dos mistérios de Oxum e outro Exu Guardião dos mistérios de Oxumaré; na linha do conhecimento há um Exu Guardião dos mistérios de Oxóssi e outro Exu Guardião dos mistérios de Obá; na linha da justiça há um Exu Guardião dos mistérios de Xangô e outro Exu Guardião dos mistérios de Egunitá; na linha da Lei há um Exu Guardião dos mistérios dos mistérios de Ogum e outro Exu Guardião dos mistérios de Iansã; na linha da evolução há um Exu Guardião dos mistérios de Obaluaiê e outro Exu Guardião dos mistérios de Nanã e na linha da geração há um Exu Guardião dos mistérios de Iemanjá e outro Exu Guardião dos mistérios de Omolu.

Ação Tripolar do Orixá Exu e das Entidades Exu. O Tridente Redondo e o Tridente Quadrado.

Outro ponto que precisa ser esclarecido é a ação tripolar do Orixá Exu, de onde vem o símbolo do tridente, que significa que ora o orixá Exu atua positivamente, ora negativamente, e ora de maneira neutra. Mas isso não significa que ele atua fazendo o bem, ora fazendo o mal, nada disso. Não se esqueça de que na Umbanda Exu só faz o bem. Dizer que Exu atua positivamente, significa que ele vitaliza uma determinação vibração divina. Dizer que Exu atua negativamente, significa que ele desvitaliza uma determinada vibração divina. E dizer que ele atua de modo neutro significa que ele também pode neutralizar qualquer uma das vibrações divinas em nós. 

Para fixação: as entidades Exu atuam também de maneira tripolar, ou seja, ora vitalizando, ora desvitalizando e ora neutralizando determinada vibração divina (fé, amor, conhecimento, justiça, lei, evolução e geração), a depender da nossa necessidade, e esse é o sentido do tridente dentro da Umbanda.

O tridente redondo é considerado feminino e o tridente quadrado masculino. Logo, a associação é de que o tridente redondo é de Pomba Gira e o Quadrado de Exu.

Todavia, há outro sentido além deste que é um tanto simplista: o tridente redondo é atemporal, ou seja, quando se quer trabalhar questões de passado, presente e futuro, enquanto que o quadrado é temporal, ou seja, por meio dele só se trabalha questões do presente.

Portanto, uma Pomba Gira também pode utilizar e riscar um tridente quadrado e um Exu um tridente Redondo, pois há um fundamento sólido por trás disso. 

Encruzilhada Em "T" e a Encruzilhada em "X. Encruzilhada Macho e Femea

A encruzilhada em "X" é chamada de encruzilhada macho e a encruzilhada em "T' é chamada de encruzilhada fêmea. Assim, quando se quer oferendar Exu, utilizamos a encruzilhada macho, e a Pomba Gira, utilizamos a encruzilhada fêmea, em "T".

A Encruzilhada em "T" significa o acesso de Pomba Gira a todas as realidades, dimensões e planos, no sentido de que é um caminho que já está posto (uma estrada) encontrada por uma saída que leva a outros caminhos. Ou seja, a partir de uma realidade Pomba Gira tem acesso a todas as demais.

A Encruzilhada em "X" traz o significado de que Exu cruza todos os caminhos, não tendo nada lugar aonde Exu não possa chegar, certo?

Qual a Representação do Arquétipo da Entidade Exu na Umbanda?

Ao contrário das demais linhas de trabalho na Umbanda, que trazem em si simbolismo e uma homenagem a um determinado povo ou cultura, a linha dos Exus não representa especificamente nada do Brasil. A linha dos Exus é um retrato nosso: um ser humano com erros e acertos, qualidades e defeitos.

Exu é o grau de espíritos que sofreram a queda, passaram por um processo de catarse, de purgação, de purificação, de reencontro consigo, que pagou as suas dívidas e retomou o seu processo evolutivo, mas nas trevas, sem reencarnar. Sim, Exu retomou o seu processo evolutivo sem reencarnar, e isso pode acontecer com qualquer espírito, inclusive o nosso, pois não podemos abusar das reencarnações a fim de nos recuperarmos, confiando que sempre haverá uma próxima oportunidade de reencarnar, postergando a nossa evolução na confiança disso. Existe, ao que parece, um limite de reencarnações e oportunidades de resolvermos nossas negatividades sobre a Terra, que se atingido, perdemos a oportunidade de reencarnar, seguindo nosso processo evolutivo no mundo astral, como um Exu, por exemplo. Discordamos da crença espirita que afirma que retornaremos a este plano quantas vezes for necessário, se assim fosse, talvez não haveria Exu.  Há sim uma tolerância, um limite nas reencarnações que não nos é revelado, mas de fato há, ao contrário, abusaríamos das oportunidades e das reencarnações e nunca evoluiríamos, afinal, iriamos crer que sempre haveria outra oportunidade de reencarne, e esperaríamos ela chegar.

Assim, Exu é um espírito que viveu outras encarnações, entretanto, no seu desencarne, na hora de prestar contas, ficou com o saldo negativo, e assim seu espírito desceu aos graus negativos deste plano. Entretanto, as entidades Exus, após se redimirem, foram convidadas a assumir um posto dentro de uma falange de Exus, e hoje atuam em nosso favor, nos ajudando a lidar com as nossas trevas.

Exu é um Grau nas Trevas. 

Exu é um grau nas trevas, é um grau negativo, é um grau a esquerda dos Orixás (se não entender o que quer dizer um grau, leia o texto “Arquétipos de Umbanda”). Isso mesmo, Exu é um grau a esquerda dos orixás, diferentemente dos graus de caboclos, pretos-velhos, crianças, baianos, marinheiros, boiadeiros, malandros, ciganos, etc. que são todos graus a direita dos orixás. 

Dizer que as linhas acima atuam a direita dos sagrados orixás significa que estas linhas são incentivadores e irradiadores das sete vibrações divinas, das sete linhas da Umbanda (fé, amor, conhecimento, justiça, lei, evolução e geração). Já dizer que Exu é um grau a esquerda significa dizer que, ao invés de ser irradiador das vibrações divinas, ele é um esgotador de tais vibrações em nós, quando as recebemos e a utilizamos de modo desvirtuado. Significa que eles atuam no mistério negativo, numa atuação de execução da lei, absorvedor do negativismo, diluidor e desvitalizador de determinada vibração divina em nós.

 Por exemplo, Oxum é um Orixá do amor, sempre é positivo e irradiador, é universal e estimulador do amor, das boas emoções, dos sentimentos positivos, etc. Entretanto, se um ser ligado a Oxum se afastar do lado positivo do amor, e passar a vibrar o ódio, vingança, rancor, etc. poderá encontrar no seu caminho um Exu ligado a Oxum a fim de aplicar a Lei Divina em sua vida, no sentido de que tais sentimentos, emoções e desejos sejam esgotados, diluídos, desvitalizados, paralisados. O Exu vai ajudar tal pessoa evoluir e abandonar esse estado de negativismo.

É uma ação contrária de uma cabocla de Oxum, por exemplo. Uma cabocla de Oxum é incentivadora, potencializadora e irradiadora do mistério positivo de Oxum, enquanto que um Exu de Oxum atua conforme acima, esgotando, diluindo, desvitalizando e paralisando o negativismo do ser neste campo. Exu é um mistério negativo dos Orixás, e atua a esquerda dos Orixás, por isso chamamos as giras de Exu de gira de esquerda.

A Entidade Exu Faz o Mal na Umbanda?

Em nossa religião, exu faz exclusivamente o bem, pois trabalha como guardião da lei e da justiça divina. Exu na Umbanda trabalha pela Luz, pela evolução e pelo bem da humanidade. É uma entidade que, independente de ter ou não luz, possui o esclarecimento da lei de retorno e a certeza de que qualquer ação negativa realizada volta a quem pediu. 
Exu também é orientador, doutrinador e guia, se alguém pede algo de ruim a um Exu dentro de um terreiro de Umbanda ele mesmo deve esclarecer, da sua forma, que isto não é bom nem para quem pede e nem para quem aceite realizar este pedido. 
 
A Entidade Exu Precisa Ser Doutrinada?

Não, Exu não precisa ser doutrinado. Exu é um guardião da lei, e como tal, possui bem mais consciência do que nós, meros seres encarnados. É uma tremenda ignorância dizer que Exu precisa ser doutrinado, e quem diz isso não tem o mínimo de conhecimento acerca destes guardiões da lei divina. Nós precisamos ser doutrinados, e não Exu.

Agora, nas primeiras incorporações, Exu costuma refletir o íntimo do seu médium, propositalmente, a fim de que esse médium possa se trabalhar, se melhorar, se aperfeiçoar, é o chamado efeito-espelho. Daí, nesse contexto, vemos e ouvimos palavrões, comportamentos inadequados, e outras condutas que são atribuídas à entidade Exu, mas isso não se deve a Exu, e sim ao médium que necessita se trabalhar nesses campos, ao contrário, durante suas incorporações, aparecerá esse tipo de comportamento, pois, com Exu em terra, incorporado, a verdade vem à tona, não havendo como se esconder. 

Não confunda os desequilíbrios e vícios do médium com a manifestação de um Exu de Umbanda, são coisas totalmente diferentes. Exu também atua com esse efeito espelho, refletindo o médium, ou seja, o que o médium tem seu interior. Todavia, em si mesmo Exu, é um espirito muito mais consciente do que nós pensamos. Quem precisa de doutrina somos nós (repito), e não Exu, que já é um espirito preparado para atuar a nossa esquerda, ou alguém acha que os Orixás iriam colocar um guardião despreparado ao nosso lado? De modo algum. Quem nos acompanha está totalmente preparado, ainda que nós não estejamos, e de fato não estamos, ao contrário, não necessitaríamos de guias, tais como Exu.

O Oitavo Chacra: o Chacra de Exu e Pomba Gira.

Todos nós sabemos que existem, na visão ocidental, sete chacras: o chacra coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, esplênico, umbilical e básico. Na cultura Oriental há uma pequena alteração: chacra coronário, frontal, laríngeo e cardíaco, incluem o chacra solar, chacra sexual (no lugar do umbilical) e chacra básico. O chacra esplênico é o mesmo solar. 

Se considerarmos que são sete chacras, podemos entender que o chacra umbilical pode ou não corresponder ao chacra sexual. Na visão ocidental é chacra umbilical, mas na oriental se trata do chacra sexual. Todavia, é possível fazer uma leitura de oito chacras, ou seja, tratando o chacra umbilical e sexual como chacras diferentes. Em se fazendo essa leitura, teremos então oito chacras, os tradicionais sete chacras mais um, da seguinte maneira: chacra coronário, frontal, laríngeo, cardíaco, esplênico ou solar, umbilical, e aqui entraria o chacra a mais: chacra sexual, e o chacra básico. 

Desta forma, se fizermos essa leitura, o oitavo chacra, o chacra sexual, seria de Exu e Pomba Gira. Como sabemos, na Teologia de Umbanda estudamos que cada um dos sete chacras está ligado a uma das sete vibrações divinas, da seguinte maneira: chacra coronário - fé, frontal - conhecimento, laríngeo - lei, cardíaco – amor, esplênico/ solar – evolução; umbilical – justiça, então, sexual seria Exu e Pomba Gira que é vigor e vitalidade e estimulo e desejo.

O Orixá Exu, na África, é assentado (dentre outras formas de se assentar) por meio de um falo. Exu é simbolizado pelo falo porque Exu representa a virilidade, o vigor; o Orixá Exu é senhor desse mistério. E Pomba Gira e seu mistério na criação traz o magnetismo do desejo e do estímulo, como veremos abaixo. Por isso, um complementa o outro, e dizemos que, enquanto divindades e entidades, se polarizam. 

Exu é o Diabo? Quem é o Diabo nas Religiões?


O diabo é entendido por algumas teologias cristãs, e até mesmo pelo senso comum, como sendo o opositor de Deus. Seria um ser supremo da maldade e perversidade, que coordena um exercito de esiritos maus (os ditos demonios, já ouviu falar neles? ), que tem como unico intuito levar os seres humanos para um suposto lugar denominado inferno, através do incentivo a pratica do que é denominado como pecado por aquele ensinamento, que seria um ofensa a Deus (estranho, um Deus tão grande que se ofende com a fraqueza humana, não?). Enfim, em síntese, o Diabo seria isso. 

Exu não tem nada a ver com diabo, com demônio, com tinhoso, com belzebu, seja lá o que for. Exu, na Umbanda, é tanto um Orixá que veio da África, da região Nagô-Ioruba, atual Nigéria, como também é uma entidade, ou seja, um espírito humano que viveu outras encarnações, caiu, mas se redimiu e retomou seu processo evolutivo a partir do plano astral, como um Exu, ou seja, um espírito que trabalha ajudando os encarnados a lidarem com o seu negativismo nesta encarnação.

A figura do Diabo não existe na Umbanda, e nem no Candomblé, logo não tem como haver um Diabo dentro destas religiões. A figura do Diabo faz parte de outra cultura, a cultura católico-cristã. Acontece que exportaram essa visão de Diabo de outra religião para dentro da nossa religião, associando o Diabo Judaico-Cristão com o Orixá Exu, sendo que um ser não tem nada a ver com o outro. Exu é um Orixá que foi trazido pelos africanos para o Brasil, por meio do tráfico negreiro, assim como os demais orixás. Exu não é o diabo, pois (enfatizo) na cultura nagô-ioruba não existe um Diabo, e como disse acima, isso é uma livre associação de cristãos-católicos desinformados que fundiram os conceitos de sua cultura religiosa com os conceitos de uma cultura africana onde não existe tal ser.

Cite-se ainda que o europeu, altamente cristianizado, em busca de escravos, ao adentrar na região africana nagô-ioruba, avistou todos os orixás pelas diversas cidades em que percorreu, e, ao avistar Exu, um orixá brincalhão, alegre, que gosta de dança, de festa, sem roupa (a nudez naquela cultura não é fruto do pecado, como na cultura judaico-cristã e na católica-cristã), não pensou duas vezes, logo associou aquele orixá com o Diabo de sua própria religião. Vê, querido leitor? Associaram o Diabo de uma religião com o orixá de outra. 

Diga-se, também, que hoje em dia Exu é sinônimo de Diabo, como se o nome Exu significasse isso, mas o nome Exu, na língua iorubá, significa esfera, e não Diabo, mas ganhou esse significado em função dessa associação cristã. Experimente sair na rua perguntando: o que significa o nome Exu? Verá que a maioria das pessoas dirá significa Diabo, alienados que são (salvo raras exceções), influenciados por uma cultura cristã que tem Deus como sua propriedade, como se outras religiões não pudessem cultuar o criador de acordo com outra cultura, ritos e práticas. 

Exu é tanto um orixá quanto uma entidade, na Umbanda. Exu não é e nunca foi o Diabo, essa blasfêmia deixamos para os cristãos-católicos e os neopentecostais fanáticos e inflamados que dia após dia expressam seus preconceitos e discriminações contra as religiões afro e as religiões brasileiras, como a Umbanda. O amor que eles pregam, não se onde está na hora de discriminar e adotar preconceitos contra a religião alheia, alguém sabe?
 
Onde Exu Atua no Plano Astral? Exu Tem Luz?

Bem, já expliquei no texto “Arquétipo de Umbanda” que, neste plano terreste, existem sete graus evolutivos para cima e sete graus evolutivos para baixo. Nos graus acima estão os caboclos, pretos-velhos, marinheiros, etc. Nos graus abaixo, em todos os sete, estão os exus. Por isso dizemos que Exu atua no embaixo, nas regiões de trevas, mas atuando em nome da luz. Veja bem, não estou dizendo que Exu tem necessariamente luz, mas sim que ele é um trabalhador da luz, que atua em nome da luz, aplicando a lei e a justiça divina. 

No embaixo, ou seja, nos sete graus trevosos, temos desde espíritos que necessitam ser resgatados, pois se negativaram a tal ponto que necessitam de ajuda para se recuperar e seguir o seu caminho evolutivo, a seres espirituais que praticam o mal por livre e espontânea vontade, obssediando, vamperizando, perturbando não apenas encarnados, mas outros espíritos também. Assim, a figura de Exu é a da milícia, da policia, daqueles que estão tanto para ajudar os que necessitam ser ajudados e querem ser ajudados, sejam espíritos desencarnados no embaixo ou encarnados plano, quanto para aplicar a lei e a justiça divina aos desordeiros do astral. 

Existem algumas divisões de como estariam postos estes sete graus nas zonas das trevas, do embaixo, chamados também de camadas. Afirmam alguns que a sétima camada seria a Zona Sub-Crostal Superior, que a sexta, quinta e quarta camadas seria a Zona das Sombras, Zona Purgatoriais ou de Regeneração, que a quarta Camada seria a Zona de Transição, e que, por fim, a terceira, segunda e primeira camadas  seria a zona das trevas ou zona Sub-Crostal Inferior. 
Todavia, assim como vou me posicionar abaixo, não vou entrar nesse aspecto “geográfico” do plano astral inferior, deixo isso para os outros, que talvez não possam garantir que a “urbanização” do astral esteja, de fato, dividido assim, não é? Posso apenas afirmar que alguns falam sem fundamento, cada qual com o seu próprio “mapa” do embaixo debaixo dos braços, pretendendo passar a sua própria imagem “geográfica” do astral.

Respeito quem faz essa divisão, mas não acredito, até mesmo por orientação espiritual, que haja uma divisão tão rígida assim. Soa mais como um engessamento dos Exus do que como uma real retratação do plano astral inferior.

A Saudação e os Cumprimentos a Exu

Uma saudação básica a Exu é: “Laroyê Exu, Exu Mojubá”. Entretanto, qual o significado desta saudação?

A palavra “laroyê” é uma palavra que vem de Ioruba e tem muitos significados, mas, em síntese, quer dizer “olha por mim”; “levante-se”, “vamos trabalhar”, “acorda”, dentre outros. Assim, quando se diz: “laroyê, Exu!”, está-se falando: acorde; levante; vamos trabalhar; olha por mim; me proteja; me guarde.

A palavra “Mojubá” é um cumprimento que  também se costuma fazer a Pomba Gira, e que também se faz a Exu, e que se pode fazer a qualquer pessoa. É um reconhecimento da grandeza do outro, da sua importância; é uma maneira de reverenciar aquele que está diante de nós. Portanto, ao dizer “Exu é Mojubá”, estamos reconhecendo sua grandeza, importância e a reverenciando.

E a saudação “Saravá, Exu!”, o que significa?

A palavra sarava não tem uma raiz etimológica, mas traz o significado de “salve”, ou seja, também é uma forma de cumprimentar, de saudar a entidade Exu.

E o Paó, o que é? A palavra Paó significa “encontro”, e é o ato de bater palmas. Logo, é um ato ritualístico gestual que utilizamos quando saudamos Exu. Batemos Paó e saudamos: “Laroye Exu! Exu é Mojubá!” Na prática, o paó é uma sequência de três palmas vezes 3, ou seja, seriam nove palmas divididos em 3 sequências de três, certo? 

Também é comum cruzar as mãos para baixo, em direção ao solo para pedir a Exu. Isso é frequente quando estamos diante da esquerda, da tronqueira e do assentamento de esquerda. Quando estamos diante do altar, as palmas de nossas mãos ficam para cima, e diante da tronqueira e do assentamento de esquerda, as nossas mãos são cruzadas/entrelaçadas para baixo.

Pode-se ainda fechar as mãos e bater uma na outra, como saudação a Exu. Tudo isso envolve a saudação a Exu, desde o “Laroye”, o “Mojubá, o “Sarava”, o “Paó”, as “Mãos Entrelaçadas para baixo” e o ato de “Bater as mãos fechadas uma na outra”, dentre outros possíveis cumprimentos e saudação.

Por fim, o fato de termos saudações a Exu significa que não basta que nos coloquemos diante dele e o chamemos e lhe solicitemos o que bem entendermos, de qualquer maneira, de qualquer forma, não, as coisas não funcionam assim. As saudações deixam claro que deve haver um respeito da nossa parte para com Exu. Pedimos-lhe ajuda, mas oferecemos o nosso respeito e a nossa reverência. Perceba que há uma troca de energias aqui, e que não se pode fazer as coisas sem temor, respeito e reverência. Agora, se não tivermos nada dentro de nós, amor, fé e devoção, provavelmente faremos tudo de qualquer forma mesmo, e ficaremos a aguardar que, da nossa falta de respeito, temor e reverência obtenhamos algum fruto bom, e ficaremos aguardando, apenas isso, aguardando.

Respeite e reverencie o Exu que lhe acompanha, e trate-o com a mais profunda devoção, pois ele poderia estar trabalhando com qualquer outro, no entanto, decidiu trabalhar ao seu lado por alguma razão. Assim, retribua a companhia dele com respeito, temor, reverência e muita, muita devoção. 

No judaísmo, quando se quer chamar um anjo, como o Anjo Gabriel, por exemplo, se deve cantar o seu nome, em forma de mantra. No Catolicismo, com o mesmo objetivo, existem os cantos gregorianos. No hinduísmo, quando se quer chamar um Deus, se canta um mantra especifico, como quando se quer chamar Shiva, por exemplo. E porque, ao chamarmos nosso Exu, as coisas devem ser feita de qualquer forma? Não devem. Todo o ritual deve estar permeado de respeito, devoção e reverência, não se esqueça disso. Umbanda é uma religião de amor, ofereça o seu amor a Exu.

Como se Classificam os Exus?

Bem, eu não aqui classificar os exus, como o fazem muitos na Umbanda, em coroados, espadados, batizados, pagãos, kiumbas, chefes de legião, de falange, de sub-falange, de agrupamento, de coluna, de sub-coluna, integrantes, e outras coisas mais.

Discordo e muito de várias e várias classificações que existem por aí, pretendendo fazer caber dentro dos seus sistemas os exus e suas falanges. Exu é um guardião da lei e da justiça divina que atua nas trevas em nome da luz, me limitarei a afirmar isso. A pretensão de muitas dessas classificações que se veem por aí, em sites e livros de “pseudo-sábios” de Umbanda são por demais rasas, e não querem outra coisa, a não ser fazer enquadrar um mistério divino negativo, como Exu, nos seus raciocínios rasteiros e rasos. 

Exu é maior que nossos sistemas, que nossas analises, que nossas classificações. Enquanto muitos perdem tempo tentando classificar os Exus, deveriam ganhar tempo os ouvindo, e logo parariam de tentar engessar a Umbanda, pois alguns pretendem isso, de fato. Já temos por ai os donos da umbanda, e se não seguirmos seus modelos e classificações estamos todos errados. Isso é uma blasfêmia. 

Confie no seu Exu, irmão, isso basta. Se quiser seguir uma classificação, é por sua conta, talvez seu Exu não concorde com a sua tabela e com o lugar dele nela, já pensou nisso?
 
Quantos Exus nos Acompanham? 

Todos nós somos acompanhados por pelo menos três Exus. O primeiro é o Exu Guardião, ligado ao nosso orixá ancestral. O segundo é o nosso exu de trabalho, ligado ao nosso orixá adjunto. O terceiro é o nosso exu natural, ligado ao nosso orixá de frente. Entretanto, isso não é uma formula infalível, podendo ter variações em quaisquer destes Exus. Assim, não necessariamente, os exus que nos acompanham tem uma ligação com algum orixá de nossa coroa.

Respeito quem assim acredita, ou seja, quem crê que obrigatoriamente nossos exus estão ligados aos nossos orixás, mas discordo, novamente, neste ponto, pois contra fatos não há argumentos. O que temos visto é que, não necessariamente, nossos exus estão ligados aos nossos orixás, logo, entendo que não podemos fazer disso um dogma.

Por Que A Firmeza de Exu Fica do Lado de Fora ou na Porta?

Por que Exu nos guarda do que vem do lado externo, por isso a firmeza dele fica na porta de entrada da casa ou do lado de fora da residência. Assim, quando for fazer uma firmeza para o seu Exu, ou outro Exu, firme-a do lado externo de sua casa ou na porta de entrada da mesma. Sem Exu não há segurança, proteção e guarda, lembre-se.

Uma firmeza básica para Exu é acender uma vela preta, oferecer numa quartinha preta ou mesmo num copo um bom marafo (cachaça) acompanhado de um charuto de boa qualidade. A Saudação de Exu é “Laroyê, Exu! Exu, é Mojubá”. Faça sua firmeza, peça proteção e guarda, e tenha fé. Não há uma tradução literal para essa saudação, mas, em síntese, é um pedido para que Exu nos guarde e olhe por nós e um reconhecimento de sua força e poder.
 
Saravá aos Exus que me Acompanham!

Não poderia deixar de agradecer aos meus guardiões, aos Exus que militam na minha esquerda. Sou extremamente grato pelo amparo e proteção. Laroyê Exu! Exu é Mojubá!

Um Sarava Fraterno a Todos!
 
Dúvidas e Perguntas:
E-mail: jaderoliveira.j@hotmail.com
 
Primado Sete Covas do Brasil Templo de Umbanda
Enviado por Primado Sete Covas do Brasil Templo de Umbanda em 05/03/2016
Alterado em 08/06/2016

Música: Ponto - Exu Veludo,Caveira,Tranca Ruas,Marabô,Toquinho,7 Encruzilhadas,7 facas-iOJhop17u00 - Desconhecido

Copyright © 2016. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários