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LINHA EÓLICA OU DA LEI: OGUM

 
SIGNIFICADO DO NOME OGUM
 
O termo “Gun” significa “Guerra”.
 
CONTEXTO AFRICANO DE OGUM
 
Filho mais velho de Odudua, divindade masculina nagô e fundador da cidade de Ifé – considerada a capital religiosa dos nagôs, Ogum é o orixá da Guerra, divindade que usa a espada e forja o ferro, transformando-o em instrumento de luta.

É o patrono da força produtiva que trabalha a natureza. Considerado o protetor dos militares, ferreiros, agricultores ou os que trabalham com ferro, além dos combatentes em geral.

Irmão de Exu, tem muito em comum com este. Além de um caráter instável e arrebatador, Ogum também tem ascendência sobre os caminhos.

Os lugares consagrados a Ogum ficam ao ar livre, na entrada da Casa ou Terreiro.

Para proteger a casa de um invasor, usa-se uma pedra em forma de bigorna, como uma espécie de amuleto do orixá da guerra.

A proteção de Ogum é representada por franjas desfiadas de palmeira ou dendezeiro, chamadas mariwo e que, penduradas nas portas ou janelas, evitam as más influências, protegendo contra pessoas indesejáveis.

O culto a Ogum é bastante difundido no Brasil, em Cuba e  na Nigéria.

Sem sua permissão e proteção, nenhuma atividade útil, tanto no espaço urbano como no campo, pode ser aproveitada.

Deve ser invocado logo após Exu ser despachado, abrindo caminho para os outros orixás.

É representado por sete instrumentos de ferro pendurados em uma haste de metal, tanto no brasil quando nos países africanos.
 
QUALIDADES OU CAMPO DE ATUAÇÃO DE OGUM

No culto de nação e nos candomblés, é costume relacionar as qualidades ou caminhos de Ogum como sendo, de modo geral e em síntese:

Ogum Meje ou Meje Meje – É o mais velho de todos, a raiz dos outros, Ogum completo, velho solteirão rabujento. 

Ogum Já - é um Ogum, como indica seu nome, particularmente combativo. Amigo do cachorro que lhe é consagrado é como ele um protetor seguro. Mas tem temperamento rabugento, solitário, veste-se de verde escuro e usa contas verdes. Dizem que acompanha Ogúnté. 


Ogum Ajaká – é o "verdadeiro Ogum guerreiro", sanguinário, que em princípio se veste de vermelho. Teria sido rei de Òyó e irmão de Xangó. Ajaká é um tipo particularmente agressivo de Ogum, um militar acostumado a dar ordens e a ser obedecido, seco e voluntarioso, irascível e prepotente.
 
Ogum Xoroke – usa contas de um azul escuro que se aproxima do roxo do colar de Exu, seu irmão e amigo íntimo. "Xoroke é um Ogum que tende a confundir-se com Exu, agitado, instável, suscetível e manhoso. 

Ogum Meme - veste-se igualmente de verde e usa contas verdes, como Ogunjá, mas de uma tonalidade diferente. 

Ogum Wori - (Warri, ou wori: Ioruba) – é um Ogum perigoso, dado da feitiçaria, ligado ao Mariwo, aos antepassados.; Tem temperamento difícil, suscetível, autoritário o espírito dogmático.

Ogum Lebede (Alagbede) – é o Ogum dos ferreiros, marido de Iemanjá Ogunté e pai de Ogum Akoro. Representam um tipo mais velho de Ogum, trabalhadores conscienciosos, severos, que “não brincam em serviço”, ciente de seus deveres como de seus direitos, exigente e rabugento. 

Ogum Akoró - é o irmão de Oxóssi, ligado a floresta, qualidade benéfica de Ogum invocada no Padê. Filho de Ogunté, Akoró é um tipo de Ogum jovem e dinâmico, entusiasta, era prendedor, hei-o de iniciativa, protetor seguro, amigo fiel, e muito ligado a mãe. 


Ogum Oniré - é o título do filho do Ogum que reinou sobre Iré, o dono de Iré, primeiro filho de Oduduwa. Oniré é um Ogum antigo que desapareceu debaixo da terra. Usa também contas verdes. Guerreiro impulsivo é o cortador de cabeças, ligado à morte e aos antepassados; orgulhoso, muito impaciente, arrebatado, não pensa antes de agir, mas acalma-se rapidamente. 

Ogum Olode - é o Ogum dos caçadores, originário de Ketu. Não come galo por ser um animal doméstico. Amigo do mato, dos animais, conhecedor dos caminhos, e é um guia seguro. Seu temperamento solitário assemelha ao de Oxóssi. 

Ogum Popo – seria o nome de Ogum quando foi a terra dos jeje, é um tipo fanático de Ogum.
 
Na Umbanda que praticamos não denominamos de qualidade as diversas maneiras com as quais o orixá Ogum se manifesta, mas sim de campos de atuação, que podem ser 13 (treze) campos de atuação, uma vez que na Umbanda Sagrada – nossa maior referência – as Sete Linhas de Umbanda possuem (para facilitar o culto) dois orixás polarizados em cada linha. Logo, Ogum atua no campo dos outros 13 (treze) orixás, além da atuação originária em sua própria vibração – a vibração divina da Lei e da Ordem.

ALGUMAS LENDAS SOBRE OGUM
 
PRIMEIRA LENDA

Ogum era filho predileto de Orunmilá, e essa preferência devia-se à sua abnegação. Quando o Deus Supremo estava construindo o mundo, esparramando a terra com sua espada de cristal para formar os continentes, a mesma partiu-se. O Deus do Ferro foi chamado e continuou o trabalho com sua espada.

A primeira cidade que Ogum construiu foi Ifé, deixando seu filho na chefia do governo; em seguida, partiu para fundar outras. Muito tempo depois, ele retornou e, tendo a impressão de que ninguém o havia reconhecido, tornou-se colérico. Naquele dia, por fatal coincidência, acontecia uma cerimônia na qual não era permitido falar, e isto teria causado a Ogum a impressão de que o estavam desprezando (outra lenda afirma que ele não teria reconhecido a cidade que fundara, tratando a população como inimiga).

Por isso, enfurecido, Ogum foi dizimando a todos. Mais tarde, quando seu filho conseguiu falar com ele, percebeu o erro que cometera, mas já era tarde demais. O guerreiro ficou tão arrependido que preferiu morrer. Assim, ele baixou sua espada em direção ao chão e, da mesma maneira que a utilizara para destruir seus inimigos, com um gesto violento, abriu um buraco e afundou terra adentro.
Esta emoção, somada à força do guerreiro, transformaram-no em um orixá.
 
SEGUNDA LENDA

Ogum tem estreita relação com o número sete, o que é explicado por duas lendas iorubanas. Na primeira, ele aparece como o guerreiro - filho de Odudua, rei de Ifé - que conquista a cidade de Irê e assume o título de Oni (senhor ou rei). Em torno de Irê havia sete aldeias, hoje desaparecidas. Por essa razão, acreditava-se que Ogum fosse composto por sete partes, uma para cada aldeia conquistada. Em iorubano, sete é mejê, de onde resultou a expressão Ogum Mejê (O Ogum que são sete, ou o Ogum composto de sete partes). É a ele, portanto, que o ponto é dedicado.
 
TERCEIRA LENDA

A outra lenda que associa Ogum com o número sete fala do casamento entre Ogum e Oyá. Ogum tinha uma vara mágica, feita de ferro (metal que lhe está associado), que tinha a propriedade de dividir em sete partes os homens e em nove partes as mulheres que tocasse. Em sua oficina de ferreiro, Ogum confeccionou uma vara igual e deu-a de presente a Oyá. Algum tempo depois, porém, Oyá fugiu com Xangô e foi perseguida pelo furioso marido traído. Quando se encontraram, entraram em combate com suas varas mágicas, dividindo-se Ogum em sete parte e Oyá em nove. Por isso ela é chamada de Iansã, termo composto de duas palavras iorubanas: Iá ou Inhá (mãe) e messan (nove). 
 
 
OGUM NA UMBANDA SAGRADA: O TRONO MASCULINO EÓLICO OU DA LEI
 
O orixá Ogum na Umbanda Sagrada é o senhor da Ordem e da Lei, aquele que estava no princípio da criação com Olorum ordenando o universo, suas leis e princípios. Ogum está assentado na quinta linha de Umbanda, que é a Linha Eólica ou da Lei, e é o ordenador dos demais sentidos da vida nos seres criador pela vontade divina. Ogum ordena a Fé, o Amor, o Conhecimento, a Justiça, a Lei, a Evolução e a Geração.
 
Ogum é orixá universal, passivo e irradiador da vibração divina da Ordem e da Lei, e a está constantemente emanando a criação divina e aos seus seres, propiciando a estes um caminho de retidão, o que irremediavelmente conduzirá os regidos por Ogum a evolução e ao aperfeiçoamento espiritual. Ogum é o comandante das milícias celestiais, dos exércitos e guerreiros espirituais que pelejam em favor de todo aquele que evoca a força de Ogum para vencer as negatividades que o cercam e o tomam.
 
Ogum é muito evocado para abrir os caminhos dos consulentes, pois detém o poder e a força espiritual para conceder a quem lhe pede saídas para as mais diversas dificuldades. Também se evoca muito Ogum para o combate as forças do baixo astral, por ser um orixá viril, forte e contundente, que não admite ação injusta e prejudicial aos seres criados por Olorum, que padecem, muitas das vezes, pelo mero desejo que as forças negativas espirituais têm de prejudicar,  e em vários casos, sem nenhuma razão. Ogum dissipa todos os inimigos, especialmente os que habitam dentro de nós, em nosso próprio descontrole.
 
ARQUETIPO DOS FILHOS (AS) DE OGUM
 
No Positivo:
 
Líderes natos
Determinados
Comunicativos
Honestos
Fiéis
Justos
Pró-Ativos
Alegres
Apreciam boa música
Amigos verdadeiros
Sexualidade passional e intensa
Etc.
 
No Negativo:
 
Ciumentos
Possessivos
Soberbos
Não aceitam ser governados (tem problema com hierarquia)
Agressivos
Emocionais ao extremo (faz primeiro e pensa depois)
Infiéis
Briguentos
Frios
Arrogantes
Etc.
 
 
Obs. A depender da localização de Ogum na coroa mediúnica do médium (de frente, adjunto/auxiliar ou ancestre) as qualidades de Ogum podem sofrer algumas variações.
 
INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE OGUM
 
Saudação: Ogunhê (significa: “Olá, Ogum”)
 
Cor: Azul Escuro (cor do metal aquecido) ou Vermelho
 
Elemento: Eólico e Igneo
 
Ponto de Força: Estradas de Ferro ou Rodovias
 
Sincretismo: São Jorge (mais comum)
 
Data Comemorativa: 23/04 (em nossa Casa)
 
Dia da Semana: Terça-Feira
 
Instrumento: Espada de Ferro
 
 
A NECESSIDADE DE UM (A) FILHO (A) DE OGUM
 
Ogum, ao receber um filho nessa encarnação, vem ensiná-lo a lidar com seu ego, a
valorizar mais as qualidades alheias (olhando menos para as limitações), a ser um líder justo e um amante cuidadoso; a cuidar de sua aparência, sem se tornar vaidoso; a defender aqueles que estão abaixo dele e lutar pelas causas certas, sendo menos impulsivo e aprendendo a pensar antes de reagir às situações. Devem tomar cuidado com a intolerância e a presunção. Precisam trabalhar a humildade e a paciência.
 
Dúvidas e Perguntas:
E-mail: jaderoliveira.j@hotmail.com

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Primado Sete Covas do Brasil Templo de Umbanda
Enviado por Primado Sete Covas do Brasil Templo de Umbanda em 21/07/2017
Alterado em 24/07/2017

Música: Ogum não devia Beber Ogum não devia Fumar - Desconhecido

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