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LINHA TELÚRICA OU DA EVOLUÇÃO: OBALUAIÊ



 

SIGNIFICADO DO NOME OBALUAIÊ
 
O nome Obaluaiê significa “rei, senhor da terra”.
 
CONTEXTO AFRICANO 
 
Orixá originário de Daomé, Obaluaiê é um nome que substitui Xampanã, deus da varíola, das doenças contagiosas e da peste – é aquele que pune os malfeitores, enviando-lhes todos os tipos de doenças. Sua origem encontra-se na cultua daomeana, assim como a de sua mã Nanã, assimilada pela cultura nagô em um lento processo de aculturação. Alguns pesquisadores supõem que o culto aos orixás africanos daomeanos é anterior a idade do ferro, pois, em certas partas da África e também no Brasil, não são utilizados instrumentos de ferro no seu preceito.
As pessoas consagradas a este orixá usam um colar chamado laguidibá, feito de pequenos anáis de chifre de búfalo. Quando Obaluaiê se manifesta nos seus eleguns, o sinal de respeito é constatado em todo o terreiro. O iniciado é coberto por uma roupa revestida de palha-da-costa e um capuz feito do mesmo material. Leva na mão o xaxará, uma espécie de vassoura feita de folhas de palmeira, decorada com búzios e cabaças contendo remédios, que ela passa nos visitantes durante sua dança mítica, afastando qualquer tipo de doença.

O orixá dança curvado para a frente, próximo ao chão, imitando o sofrimento e os tremores de febre, além de andar como um deformado e seu culto é cercado de mistérios indevassáveis. Nos terreiros Obaluaiê avisa seus protegidos da aproximação de uma epidemia ou ajuda a curar doença de algum convidado. O conjunto búzios (cauris), utilizado na consulta ao oráculo africano, pertence a esse orixá. Embora ele não seja o zelador do oráculo que pertence a Ifá, é através de Obaluaiê que o jogador entra em contato com as forças mais poderosas do jogo de búzios.

Representa o desconhecido e a morte, a terra para onde voltam todos os corpos, a terra que não guarda apenas s componentes da vida, mas também o segredo do ciclo da vida. Na África é chamado de Olodé (ficar fora da casa) e não de Obaluaiê para não atrair a morte.
 
QUALIDADES OU CAMPO DE ATUAÇÃO DE OBALUAIÊ

No culto de nação e nos candomblés, é costume relacionar as qualidades ou caminhos de Obaluaiê como sendo, de modo geral e em síntese:

Akavan: Tem ligação com Oyá, veste estampado.

Azonsu /  Ajunsun: Tem fundamentos com  Oxumaré, Oxum e Oxalá. Carrega lança e veste branco.

Azoani: É jovem, veste vermelho, palha vermelha. Tem caminhos com Iroko, Oxumaré, Iemanjá e Oyá.

Afomam: Veste a estopa e carrega duas bolsas de onde tira as doenças. Veste de amarelo e preto. Todas as plantas trepadeiras pertencem-lhe. Tem caminhos com Ogum de quem é companheiro, dança cavando a terra com Intoto para depositar os corpos que lhe pertencem.

Ajágùnsí: Tem forte fundamento com Nanã , Ewá e Oxumaré

Agòrò: veste branco, azan com franjas de palha

Jagun Itetú: ligado a Yemanjá e Oxaguian

Jagun Arawe: Tem fundamento com Oyá e Oxaguian

Jagun Ajòjí ou Sejí: Tem fundamentos com Ogun, Oxaquian. e Exú

Jagun Àgbá: tem fundamento com Oxalufan e Yemanjá.

Jagun Itunbé: Tem caminhos com Oxaguian, Ayrá e Oxalufan. Não come feijão preto e é o único que come Igbin (Caracol).

Jagun Igbonà ou Topodun: ligação com Obá, Airá e Oxaguian

Jagun Odé ou Ipòpò: ligação com Ínlè,Logun, Ogun e Oxaguian
  
Na Umbanda Sagrada, a que mais nos influencia, não denominados de qualidades os diversos fundamentos e forma de culto de um mesmo orixá, mas chamamos de campos de atuação, que, considerando as Sete Linhas de Umbanda, com dois orixás polarizados em cada uma, podem ser treze campos de atuação, ou seja, Obaluaiê, neste caso, poderia se entrecruzar com os orixás Oxalá, Oyá-Tempo, Oxum, Oxumaré, Oxóssi, Obá, Xangô, Oro Iná, Ogum, Iansã, Nanã, Yemanjá e Omolu (na Umbanda Sagrada Omolu é entendido como um orixá diferente de Obaluaiê).
 
ALGUMAS LENDAS SOBRE OBALUAIÊ
 
PRIMEIRA LENDA

Xapanã nasceu em Empê, no território Tapá, também chamado Nupê. Era um guerreiro terrível que, seguido de suas tropas, percorria o céu e os quatro cantos do mundo. Ele massacrava sem piedade aqueles que se opunham à sua passagem. Seus inimigos saíam dos combates mutilados ou morriam de peste. Assim, chegou Xapanã em território Mahi, no Daomé. A terra dos mahis abrangia as cidades de Savalú e Dassa Zumê.
 
Quando souberam da chegada iminente de Xapanã, os habitantes desta região, apavorados, consultaram um adivinho. E assim ele falou: "Ah! O grande Guerreiro chegou de Empê! Aquele que se tomará o senhor do país! Aquele que tomará esta terra rica e próspera, chegou! Se o povo não aceitá-lo, ele o destruirá! É necessário que supliquem a Xapanã que vos poupe. Façam-lhe muitas oferendas; todas as que ele goste: inhame pilado, feijão, farinha de milho, azeite de dendê, picadinho de carne de bode e muita, muita pipoca! Será necessário, também, que todos se curvem diante dele, que o respeitem e o sirvam. Desde que o povo o reconheça como pai, Xapanã não o combaterá, mas protegerá a todos!"

Quando Xapanã chegou, conduzindo seus ferozes guerreiros, os habitantes de Savalú e Dassa Zumê reverenciaram-no, encostando suas testas no chão, e saudaram-no: Totô hum! Totô hum! Atotô! Atotô! "Respeito e submissão!" Xapanã aceitou os presentes e as homenagens, dizendo: "Está bem! Eu os pouparei! Durante minhas viagens, desde Empê, minha terra natal, sempre encontrei desconfiança e hostilidade. Construam para mim um palácio. É aqui que viverei a partir de agora!"
 
Xapanã instalou-se assim entre os mahis. O país prosperou e enriqueceu, " e o Grande Guerreiro não voltou mais a Empê, no território Tapá, também chamado Nupê. Xapanã é considerado o deus da varíola e das doenças contagiosas. Ele tem, também, o poder de curar. As doenças contagiosas são, na realidade, punições aplicadas àqueles que o ofenderam ou conduziram-se mal. Seu verdadeiro nome, é perigoso demais pronunciar. Por prudência, é preferível chamá-lo Obaluaê, o "Rei, Senhor da Terra" ou Omulú, o "Filho do Senhor".
 
Quando Xapanã instalou-se entre o mahis, recebeu, em uma nova terra, o nome de Sapatá. Aí, também, era preferível chamá-lo Ainon, o "Senhor da Terra", ou, então, Jeholú, o "Senhor das Pérolas". O fato de ser chamado Jeholú e Ainon causou mal-entendidos entre Sapatá e os reis do Daomé, pois eles também usavam estes títulos.Enciumados, os Jeholú de Abomey expulsaram, várias vezes, Jeholú Ainon do Daomé e obrigaram-no a voltar, transitoriamente, à terra dos mahis. Jeholú Ainon vingou-se: vários reis daomeanos morreram de varíola!
Atotô!
 
SEGUNDA LENDA

Por causa do feitiço usado por Nanã para engravidar, Omolu nasceu todo deformado. Desgostosa com o aspecto do filho, Nanã abandonou-o na beira da praia para que o mar o levasse. Um grande caranguejo encontrou o bebê e atacou-o com as pinças, tirando pedaços da sua carne. Quando Omolu estava todo ferido e quase morrendo, Iemanjá saiu do mar e o encontrou. Penalizada, acomodou-o numa gruta e passou a cuidar dele, fazendo curativos com folhas de bananeira e alimentando-o com pipoca sem sal nem gordura até que o bebê se recuperou. Então Iemanjá criou-o como se fosse seu filho.
 
TERCEIRA LENDA
 
Chegando de viagem à aldeia onde nascera, Omulu viu que estava acontecendo uma festa com a presença de todos os orixás. Omulu não podia entrar na festa, devido à sua medonha aparência. Então ficou espreitando pelas frestas do terreiro. Ogum, ao perceber a angústia do orixá, cobriu-o com uma roupa de palha, com um capuz que ocultava seu rosto doente, e convidou-o a entrar e aproveitar a alegria dos festejos.
 
Apesar de envergonhado, Omulu entrou, mas ninguém se aproximava dele. Iansã tudo acompanhava com o rabo do olho. Ela compreendia a triste situação de Omulu e dele se compadecia. Iansã esperou que ele estivesse bem no centro do barracão. O xirê estava animado. Os orixás dançavam alegremente com suas equedes. Iansã chegou então bem perto dele e soprou suas roupas de palha, levantou-lhe as palhas que cobriam sua pestilência.
 
Nesse momento de encanto e ventania, as feridas de Omulu pularam para o alto, transformadas numa chuva de pipocas, que se espalharam brancas pelo barracão. Omulu, o deus das doenças, transformara-se num jovem, num jovem belo e encantador. Omulu e Iansã Igbalé tornaram-se grandes amigos e reinaram juntos sobre o mundo dos espíritos dos mortos, partilhando o poder único de abrir e interromper as demandas dos mortos sobre os homens.
 
QUARTA LENDA
 
Quando Obaluaiê ficou rapaz, resolveu correr mundo para ganhar a vida. Partiu vestido com simplicidade e começou a procurar trabalho, mas nada conseguiu. Logo começou a passar fome, mas nem uma esmola lhe deram. Saindo da cidade, embrenhou-se na mata, onde se alimentava de ervas e caça, tendo por companhia um cão e as serpentes da terra. Ficou muito doente. Por fim, quando achava que ia morrer, Olorum curou as feridas que cobriam seu corpo. Agradecido, ele se dedicou à tarefa de viajar pelas aldeias para curar os enfermos e vencer as epidemias que castigaram todos que lhe negaram auxílio e abrigo
 
OBALUAIÊ NA UMBANDA SAGRADA: O TRONO MASCULINO TELÚRICO OU DA EVOLUÇÃO
 
Na Umbanda Sagrada, a que mais no influencia, Obaluaiê está assentado na sexta linha de Umbanda, que é a linha da Evolução.  Fazendo par com a orixá Nanã, Obaluaiê atua na evolução da criação divina e dos seres criados por Olorum, e faz isso conferindo a estes seres estabilidade e mobilidade, ou seja, Obaluaiê manifesta uma dupla qualidade para ajudar na evolução dos seres, ele tanto confere estabilidade, que é a solidez, como, a partir dessa solidez, dessa estabilidade, possibilita que os seres evoluam, que é a própria mobilidade em si.
 
Assim como toda a criação do universo evoluiu e continua a evoluir nos mais diversos planos, realidades e dimensões, os seres que habitam, incluindo os seres humanos, também foram criados para se aperfeiçoarem ao longo das encarnações e do tempo de existência, e nesse aspecto o orixá que auxilia nesse processo evolutivo é Obaluaiê. Quando se deseja evoluir de uma realidade para outra, é a Obaluaiê a quem evocamos. Nota-se o aspecto evolutivo de Obaluaiê na cura de doenças, por exemplo. Uma doença que é curada é, na verdade, uma grande mudança de estado, pois se evoluiu de um estado de dor e sofrimento para um estágio de alegria e paz no campo físico. Entretanto, não é apenas nesse campo que Obaluaiê nos auxilia. Ele também nos ajuda a evoluir na Fé, no Amor, no Conhecimento, na Justiça, na Lei e na Geração, ou seja, nas demais vibrações divinas irradiadas pelas outras seis linhas de Umbanda. Evoluir é passar de um estágio para outro, e quando desejamos isso em qualquer campo de nossas vidas, clamamos por Obaluaiê.
 
Obaluaiê é o senhor das passagens e das transformações, aquele que nos auxilia, por meio de sua estabilidade (terra) e mobilidade (água) a supera as estagnações. Esta oriá não é apenas de cura, mas também de bem-estar, da busca de dias melhores, de melhores condições de vida. Ele é evocado como o senhor das almas, que auxiliam os espíritos desencarnados em processo de passagem do plano físico para o plano astral, quando ocorre o desencarne. Muitos se apegaram aos aspectos negativos de Obaluaiê, temendo doenças, pestes e pragas, todavia, sobre tudo, Obaluaiê é o senhor da cura, que com seu Xaxará nos livra das negatividades que nos toma, não penas externas, mas internas, em nosso próprio emocional. Obaluaiê nos ajuda a vencer as doenças que nos ferem a alma, que de maneira silenciosa vai nos corroendo a paz. Obaluaiê é o grande avô cuidadoso, paciente e sábio, que vemos muito nos terreiros manifestado nas figuras dos Pretos-Velhos e Pretas-Velhas.


ARQUETIPO DOS FILHOS (AS) DE OBALUAIÊ
 
No Positivo:

Calmos
Recatados
Instrospectivos
Possuem grande compaixão
São cuidadosos
Bondosos
Carinhosos
Possuem o dom da cura
Independentes
Decididos
Gostam de tranquilidade
Tímidos
Tem excelente memória
São prestativos
Humildes
Habilidosos nos trabalhos manuais e trato com animais
Gostam de ficar sozinhos
Etc.
 
No Negativo:
 
Rabugentos
Reclamões
Chorões
Exageradamente Criticos
Instáveis emocionalmente
Supersensíveis
Dados a autopiedade e vitimismo
Pessimistas
Podem ter ideias suicidas
Facilidade pra engordar (vivem lutando contra a balança)
Etc.
 
Obs. A depender da localização de Obaluaiê na coroa mediúnica do médium (de frente, adjunto/auxiliar ou ancestre) as qualidades deste orixá podem sofrer algumas variações.
 
INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE OBALUAIÊ
 
Saudação: Atotô (significa: “silêncio”)
 
Cor: Branco (paz e cura), preto (conhecimento), vermelho (atividade), e na Umbanda Sagrada, o Roxo é a principal cor.
 
Elemento: Terra
 
Ponto de Força: Cemitérios
 
Sincretismo: São Lazaro
 
Data Comemorativa: 16/08 (em nossa Casa)
 
Dia da Semana: Segunda-Feira (em nossa Casa)
 
Instrumento: Xaxará
 
A NECESSIDADE DE UM (A) FILHO (A) DE OBALUAIÊ
 
Sair da posição de vítima e tomar a rédea da vida. Se livrarem do passado que não mais lhe serve e ajuda. Precisam trabalhar a autoestima e a autoconfiança. Cuidar de si mesmos, pois com sua grande compaixão cuidam de todos, mas esquecem de si.
 
Dúvidas e Perguntas:
E-mail: jaderoliveira.j@hotmail.com

 
 
Primado Sete Covas do Brasil Templo de Umbanda
Enviado por Primado Sete Covas do Brasil Templo de Umbanda em 23/07/2017
Alterado em 24/07/2017

Música: Ponto cantado de Obaluae - Se você está sofrendo, no leito ou com frio e com dor. - Desconhecido

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