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LINHA DA GERAÇÃO OU AQUÁTICA: IEMANJÁ


 
 
SIGNIFICADO DO NOME IEMANJÁ
 
O nome Iemanjá é composto por três vocábulos: iyá (mãe), omo (filho) e Eja (peixe), logo significa “a mãe cujos filhos são peixes”.
 
CONTEXTO AFRICANO 
 
Iemanjá é proveniente de uma nação chamada Egbá, na Nigéria, onde existe um rio com o mesmo nome Orixá. Ela seria filha de Olokum (mar) e mãe da maioria dos orixás. Sua cor é branca, associada a Oxalá, e juntos teriam feito a criação do mundo. Na África, Iemanjá é associada à fertilidade e fecundidade.

Nas danças míticas, seus iniciados imitam o movimento das ondas, executando curiosos gestos, como se estivessem nadando no mar, abrindo os braços, ora levando as mãos à testa e elevando-as ao céu, indicando as variações das ondas do mar.  Iemanjá segura um leque de metal e um espelho. Assim como Oxum, tem diversos nomes (ou qualidades) referentes à diversidade e às diferentes profundidades dos trechos do rio Yemoja.

Iemanjá representa a criação efetivada. O seu leque, chamado abebê, tem em seu centro um recorte, onde surge o desenho de uma sereia. Em outros modelos deste apetrecho, constam a Lua e as estrelas. Ela pode ser considerando com uma entidade graciosa do que vaidosa (Oxum). Complacente e pródiga, é responsável pela pescaria farta, além da vida com abundância de alimentos.

Não lembra a volúpia das sereias das europeias ou a Iara dos mitos indígenas, mas é representada e cultuada sempre com muito respeito, pois é a mãe da criação.
 
 
QUALIDADES OU CAMPO DE ATUAÇÃO  DE IEMANJÁ

No culto de nação e nos candomblés, é costume relacionar as qualidades ou caminhos de Iemanjá como sendo (em síntese e de modo geral):

Yemanjá Asdgba ou Soba: É a mais velha, manca de uma perna devido a uma luta com Exu, rabugenta, e feiticeira, fala de costas, gosta de fiar seu cristal. Comanda as caçadas mais profundas do oceano, tem afinidade com Nanã. Veste branco.

Yemanjá Akurá: Vive nas espumas do mar, aparece vestida com lodo do mar e coberta de algas marinhas. Muito rica e pouco vaidosa. Adora carneiro. Come com Nanã.

Yemanjá Ataramaba: Nessa forma ela está no colo de seu pai Olokun.

Yemanjá Ataramogba ou Iyáku: Vive na espuma da ressaca da maré.

Yemanjá Ayio: Muito velha. Veste sete anáguas para se proteger. Vive no mar e descansa nas lagoas. Come com Oxum e Nanã.

Yemanjá Iya Masemale ou Iamasse: É a mãe de Xangô e quem cuidou de Oxumaré. Esposa de Oranian e muito festejada durante as festas consagradas a seu filho Xangô. As suas contas são branco leitosas, rajadas de vermelho e azul.

Yemanjá Iyemoyo, Awoyó; Yemuo; Yá Ori ou Iemowo: É uma das mais velha, possui ligação com Oxalá, o seu fundamento está no ori, representa a vida, pode curar doenças da cabeça. Veste branco e cristal.

Yemanjá Konla: O seu mito conta que ela afoga os pescadores.

Yemanjá Maleleo ou Maiyelewo: Esta Yemanjá vive no meio do oceano no lugar onde se encontram as sete correntes oceânicas.

Yemanjá Odo: Tem aproximação com Oxum, e vive na água doce sendo muito feminina e vaidosa.

Yemanjá Ogunté: Considerada a nova guerreira, dona da espada, esposa de Ogum ferreiro (Alagbedé) e mãe de Ogum Akorô e Oxóssi. O seu nome significa aquela que contém Ogum. Vive perto das praias, no encontro das águas com as pedras. Traz na cintura um facão e todas as ferramentas de Ogum. Veste branco; azul marinho, cristal, ou verde e branco.

Yemanjá Olossá ou Bosá: Come com Oxum e Nanã. Veste verde-clara e suas contas são branco cristal. É a Yemanjá mais velha da terra de Egbado.

Yemanjá Oyo: Benéfica, muito feminina, saudada na cerimónia do Padê, veste de branco, rosa e azul claro.

Yemanjá Saba: Fiadeira de algodão, foi esposa de Orunmilá.

Yemanjá Sessu, Sesu, Yasessu ou Susure: Ligada à gestação. Voluntariosa e respeitável, mensageira de Olokun, o deus do mar. Vive nas águas sujas do mar e é muito esquecida e lenta. Come com Obaluaiyê e Ogum. Além do próprio assentamento, tem que se assentar Oxum e Obaluaiyê. Veste branco, verde água e suas contas branco cristal.

Yemanjá Yinaé ou Malelé: Aquela que os filhos sempre serão peixes. Também conhecida como Marabô, mora nas águas mais profundas. É a sereia, ligada à reprodução dos peixes; vem sempre a beira do mar apanhar as suas oferendas; está ligada a Oxalá e Exú.
 
Na Umbanda Sagrada, a que mais nos influencia, não denominados de qualidades os diversos fundamentos e forma de culto de uma mesma  orixá, mas chamamos de campos de atuação, que, considerando as Sete Linhas de Umbanda com dois orixás polarizados em cada uma podem ser treze campo de atuação, ou seja, Iansã, neste caso, poderia se entrecruzar com os orixás Oxalá, Oyá-Tempo, Oxum, Oxumaré, Oxóssi, Obá, Xangô, Oro Iná, Ogum, Iansã, Obaluaiê, Nanã e Omolu.
 
ALGUMAS LENDAS SOBRE  IEMANJÁ
 
PRIMEIRA LENDA

Iemanjá e Orunmilá eram casados. Orunmilá era um grande adivinho, com seus dotes sabia interpretar os segredos dos búzios. Certa vez Orunmilá viajou e demorou para voltar e Iemanjá viu-se sem dinheiro em casa, então, usando o oráculo do marido ausente, passou a atender uma grande clientela e fez muito dinheiro.

No caminho de volta para casa, Orunmilá ficou sabendo que havia em sua aldeia uma mulher de grande sabedoria e poder de cura, que com a perfeição de um babalaô jogava búzios. Ficou desconfiado, quando voltou, não se apresentou a Iemanjá, preferindo vigiar, escondido, o movimento em sua casa.

Não demorou a constatar que era mesmo a sua mulher a autora daqueles feitos, Orunmilá repreendeu duramente Iemanjá, ela disse que fez aquilo para não morrer de fome, mas o marido contrariado a levou perante Olofim-Olodumare.

Olofim reiterou que Orunmilá era e continuaria sendo o único dono do jogo oracular que permite a leitura do destino, Ele era o legítimo conhecedor pleno das histórias que forma a ciência dos dezesseis odus. Só o sábio Orunmilá pode ler a complexidade e as minúcias do destino, mas reconheceu que Iemanjá tinha um pendor para aquela arte, pois em pouco tempo angariara grande freguesia.

Deu a ela então autoridade para interpretar as situações mais simples, que não envolvessem o saber completo dos dezesseis odus, assim as mulheres ganharam uma atribuição antes totalmente masculina.
 
SEGUNDA LENDA

Olodumaré fez o mundo e repartiu entre os orixás vários poderes, dando a cada um reino para cuidar. A Exú deu o poder da comunicação e a posse das encruzilhadas. A Ogum o poder de forjar os utensílios para agricultura e o domínio de todos os caminhos. A Oxóssi o poder sobre a caça e a fartura. A Obaluaiyê o poder de controlar as doenças de pele. Oxumaré seria o arco-íris, embelezaria a terra e comandaria a chuva, trazendo sorte aos agricultores. Xangô recebeu o poder da justiça e sobre os trovões. Oyá reinaria sobre os mortos e teria poder sobre os raios.
 
Ewá controlaria a subida dos mortos para o orun, bem como reinaria sobre os cemitérios. Oxum seria a divindade da beleza, da fertilidade das mulheres e de todas as riquezas materiais da terra, bem como teria o poder de reinar sobre os sentimentos de amor e ódio. Nanã recebeu a dádiva, por sua idade avançada, de ser a pura sabedoria dos mais velhos, além de ser o final de todos os mortais; nas profundezas de sua terra, os corpos dos mortos seriam recebidos. Além disso do seu reino sairia a lama da qual Oxalá modelaria os mortais, pois Odudua já havia criado o mundo. Todo o processo de criação terminou com o poder de Oxoguian que inventou a cultura material.Para Iemanjá, Olodumare destinou os cuidados da casa de Oxalá, assim como a criação dos filhos e de todos os afazeres domésticos.

Iemanjá trabalhava e reclamava de sua condição de menos favorecida, afinal, todos os outros deuses recebiam oferendas e homenagens e ela, vivia como escrava. Durante muito tempo Iemanjá reclamou dessa condição e tanto falou, nos ouvidos de Oxalá, que este enlouqueceu. O ori (cabeça) de Oxalá não suportou os reclamos de Iemanjá. Oxalá ficou enfermo, Iemanjá deu-se conta do mal que fizera ao marido e, em poucos dias curou Oxalá. Oxalá agradecido foi a Olodumare pedir para que deixasse a Iemanjá o poder de cuidar de todas as cabeças. Desde então Iemanjá recebe oferendas e é homenageada quando se faz o bori (ritual propiciatório à cabeça) e demais ritos à cabeça.
 
TERCEIRA LENDA

Iemanjá teve muitos problemas com os filhos. Ossaim, o mago, saiu de casa muito jovem e foi viver na mata virgem estudando as plantas. Contra os conselhos da mãe, Oxóssi bebeu uma poção dada por Ossaim e, enfeitiçado, foi viver com ele no mato. Passado o efeito da poção, ele voltou para casa mas Iemanjá, irritada, expulsou-o. Então Ogum a censurou por tratar mal o irmão. Desesperada por estar em conflito com os três filhos, Iemanjá chorou tanto que se derreteu e formou um rio que correu para o mar.
 
IEMANJÁ NA UMBANDA SAGRADA: O TRONO FEMININO DA GERAÇÃO OU AQUÁTICO
 
Iemanjá é a mãe da vida, que gerou todas as coisas que existem no universo, que gerou as realidades, as dimensões e planos, que criou os todos os seres encarnados e desencarnados. Iemanjá é o amor maternal manifestado, que originou tudo que existe. Do seu mistério criador e gerador de tudo que existe, por ser ela responsável pela vida, vem o nome do trono divino no qual ela está assentada: o trono divino da geração o aquático.
 
Iemanjá, na Umbanda Sagrada, está assentada na Sétima Linha de Umbanda, com nome acima, e se polariza com o orixá Omolu. Ela é responsável pela irradiação divina da criação, é traz consigo, dentre alguns fatores, os fatores mobilizador e gerador. Por meio do fator gerador Iemanjá cria, como já comentado acima, e por meio do fator mobilizador Iemanjá mobiliza os aspectos positivos que há nos seres, retirando-os da paralisia espiritual. Iemanjá é passiva, universal e irradiadora, e está todo tempos nos transpassando com suas vibrações energo-magnéticas criativas e geracionistas.
 
Ela nos ajuda na geração e mobilização das vibrações das demais linhas de Umbanda, tais como a Fé, o Amor, o Conhecimento, a Justiça, a Lei, a Evolução e a Geração. Costuma-se evocar Iemanjá para resolução de questões voltadas a maternidade (ela é a grande mãe), a família, a limpezas por meio do elemento água, dentre outras.
 
ARQUETIPO DOS FILHOS (AS) DE IEMANJÁ
 
No Positivo:
 
Gentil
Compassivo
Compreensivo
Simples
Perdoa com facilidade
Apegado aos filhos e a esposa
Honesto
Laborioso
Amiga das crianças e animais
Cuidadoras
Sentem necessidade de estar em família
Precisam de uma ambiente domestico organizado
Sentimentais
Grandes amigos
Sociais
Humanitários
Senso de humor variável (costuma não deixar transparecer seu descontentamento)
Gostam de sexo (mas ficam bem se não tiverem)
Vaidosas
Sortudas
Inclinação a espiritualidade (intuição, sensitividade, etc)
Etc.
 
No Negativo:
 
Extremamente críticas
Choronas
Rancorosas
Possessivas
Briguentas
Fechadas
Antipáticas
Manipuladoras
Autoritárias
Intolerantes
Tendência a serem altas, possuir ossatura larga, seios fartos e quadril largo.
Etc.
 
Obs. A depender da localização de Iemanjá na coroa mediúnica do médium (de frente, adjunto/auxiliar ou ancestre) as qualidades desta orixá podem sofrer algumas variações.
 
INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE IEMANJÁ
 
Saudação: O Doiá! (Odo, significa “rio”)
 
Cor: Azul claro ou branco
Elemento: Água
 
Ponto de Força: Na beira do Mar e dos Rios
 
Sincretismo: Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora da Piedade, Maria, mãe de Jesus.
 
Data Comemorativa: 02/02 (em nossa Casa)
 
Dia da Semana: Sábado (em nossa Casa)
 
Instrumento: Abebê (espelho)
 
 
A NECESSIDADE DE UM (A) FILHO (A) DE IEMANJÁ
 
Aprender a dizer não. Aprender a não querer carregar o mundo nas costas. Desapegar de pessoas e coisas. Parar de se meter onde não são chamadas (querem tanto ajudar que acabam invadindo o lado alheio). Precisam aprender a ser criativas para achar soluções para seus problemas.
 
Dúvidas e Perguntas:
E-mail: jaderoliveira.j@hotmail.com

 
 
Primado Sete Covas do Brasil Templo de Umbanda
Enviado por Primado Sete Covas do Brasil Templo de Umbanda em 24/07/2017
Alterado em 24/07/2017

Música: Ponto cantado de Iemanjá - Eu escrevi um pedido na areia... - Desconhecido

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